20.04.2017 - 08:45

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Quarenta e um dias após entrar na Paraíba, águas do São Francisco chegam ao Açude de Boqueirão

O encontro das águas ocorre 41 dias após as águas do “Velho Chico” chegarem à cidade de Monteiro, na Paraíba.



Uma semana após a chegada à bacia hidráulica do açude Epitácio Pessoa, conhecido como açude de Boqueirão, no Cariri paraibano, as águas da transposição do Rio São Francisco encontraram, às 20h desta terça-feira (18), o espelho d‘água do reservatório - até o sangradouro do açude, ainda faltam 8 km. O encontro das águas ocorre 41 dias após as águas do “Velho Chico” chegarem à cidade de Monteiro, na Paraíba.

Com o pior nível desde a fundação, no fim da década de 1950, Boqueirão começa a receber as águas do Rio São Francisco com a expectativa de sair do volume morto em até três meses. O açude que abastece 1 milhão de habitantes em Campina Grande e outras 18 cidades chegou nesta terça-feira a 2,9% da capacidade.

Antes de chegar ao espelho d‘água de Boqueirão, ainda durante a tarde desta terça-feira, as águas do "Velho Chico" já haviam chegado a uma pequena lagoa que ainda restava isolada na bacia hidráulica do açude, onde, com a luz do dia era possível ver a divisão do encontro das águas: do lado esquerdo (da foto abaixo) a água mais clara é a da tranposição do Rio São Francisco. Já a da direita - mais escura - é a pouca água que ainda restava em uma das lagoas da bacia hidráulica de Boqueirão.

Encontro das águas da transposição do Rio São Francisco, à esquerda, com as águas do açude de Boqueirão, à direita (Foto: Artur Lira/G1) Encontro das águas da transposição do Rio São Francisco, à esquerda, com as águas do açude de Boqueirão, à direita (Foto: Artur Lira/G1)

Encontro das águas da transposição do Rio São Francisco, à esquerda, com as águas do açude de Boqueirão, à direita (Foto: Artur Lira/G1)

 

Boqueirão tem capacidade para armazenar até 411.686.287 de m³ de água, mas está com pouco mais de 11,9 milhões, segundo os dados da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa). Para sair do volume morto, ele precisar ficar com o nível de água acima de 8,2%.

O último pior índice registrado em uma crise hídrica anterior ocorreu no fim da década de 1990, quando o açude chegou à margem de 14% do volume total. Ele nunca havia chegado ao volume morto antes.

A torre construída para auxiliar no monitoramento do volume do açude já está completamente descoberta. As duas comportas que captavam a água no fundo do açude por meio da gravidade já não têm mais água no entorno.

Torre construída para calcular volume já está totalmente descoberta pela água do açude de Boqueirão, na Paraíba (Foto: Artur Lira /G1) Torre construída para calcular volume já está totalmente descoberta pela água do açude de Boqueirão, na Paraíba (Foto: Artur Lira /G1)

Torre construída para calcular volume já está totalmente descoberta pela água do açude de Boqueirão, na Paraíba (Foto: Artur Lira /G1)

A transposição

A água da transposição do Rio São Francisco chega à cidade de Monteiro, na Paraíba, através do eixo leste. Neste trecho, a água é captada na cidade de Petrolândia, no Sertão de Pernambuco e viaja por 208 quilômetros até chegar a cidade paraibana. As águas chegaram a Monteiro, no dia 8 de março deste ano.

A água captada do Rio São Francisco passa por seis estações elevatórias de água, cinco aquedutos, 23 segmentos de canais e ainda 12 reservatórios. A intenção da criação dos reservatórios é beneficiar as comunidades onde foram construídos e também garantir que a água não pare de correr pelos canais, caso seja necessário fazer algum reparo no trecho.

Canal da transposição desaguando em lago do eixo leste da obra em Pernambuco (Foto: Artur Lira/G1) Canal da transposição desaguando em lago do eixo leste da obra em Pernambuco (Foto: Artur Lira/G1)

Canal da transposição desaguando em lago do eixo leste da obra em Pernambuco (Foto: Artur Lira/G1)

Os 12 reservatórios são: Areais, Braúnas (o maior deles, com capacidade para mais de 14 milhões de metros cúbicos de água), Mandantes, Salgueiro (5,2 milhões de m³), Muquem, Cacimba Nova, Bagres, Copití, Moxotó, Barreiro, Campos (o segundo maior com 8 milhões de m³) e Barro Branco.

Passagem da água na Paraíba

Depois de chegar a Monteiro, as águas da transposição vão para o Rio Paraíba e através dele segue pelos açudes de São José I e Poções, ainda na cidade de Monteiro; pelo açude de Camalaú; pelo açude de Boqueirão; pelo açude de Acauã, em Itatuba; pelo açude de Araçagi e depois segue para um perímetro irrigado no município de Sapé.

O açude São José I já está sangrando com a chegada das águas da transposição do Rio São Francisco. Já o açude Poções está com um volume de 6,6%, o açude de Camalaú está com 14,4%, o açude de Boqueirão está com 3%, o açude de Acauã está com 5,3% e o açude de Araçagi está com 71,3%.

Açude São José sangrou após chuvas em Monteiro (Foto: Guga Leite/Divulgação) Açude São José sangrou após chuvas em Monteiro (Foto: Guga Leite/Divulgação)

Açude São José sangrou após chuvas em Monteiro (Foto: Guga Leite/Divulgação

GiroPb com G1


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