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O secretário de Cultura da Paraíba, Chico César, anunciou que o governo da Paraíba não vai investir recursos do Estado na promoção de festas de municípios paraibanos que contratem essas bandas de forró, também apelidadas de “forró de plástico”. Uma ...
O secretário de Cultura da Paraíba, Chico César, anunciou que o governo da Paraíba não vai investir recursos do Estado na promoção de festas de municípios paraibanos que contratem essas bandas de forró, também apelidadas de “forró de plástico”.
Uma “meia dúzia de três ou quatro” distorceu as palavras de Chico e disseminou que ele estava proibindo a contratação dessas bandas aqui na Paraíba. O secretário não é louco, nem muito menos tem poder para isso.
O que o secretário Chico César disse foi que sua pasta era nova, o seu orçamento para este ano é da ordem de R$ 8 milhões, e que este dinheiro deve ser aplicado, prioritariamente, em projetos que preservem e reforcem a nossa cultura, mantenha os nossos traços culturais e incentivem grupos e pessoas que trabalham nessa direção.
É evidente que as bandas que preferem falar de bebidas, denegrir a figura da mulher, apelar para moças seminuas no palco, e fazer loas ao machismo, não se enquadram na nova política cultural do governo do Estado.
Quando governador de Pernambuco, Miguel Arraes chamou o escritor Ariano Suassuna para comandar a Secretaria de Cultura daquele Estado. Ariano aceitou, com uma condição: que o governo não interferisse na aplicação dos recursos na área de cultura.
Defensor das raízes da cultura nordestina, Ariano investiu em grupos de folclore e projetos que apontavam para a preservação e divulgação da cultura de raiz, bancou discos, filmes, livros, vídeos, grupos de dança, maracatus, mazurca, catiras, reisados, boi-bumbá e deu visibilidade ao fazer cultural de Pernambuco.
O projeto cultural de Chico César tem um olho que aponta para esta direção. Ao invés de gastar recursos com as bandas das mulheres seminuas, o governo deve investir nas Catiras de Taperoá, na Mazurca de Catolé, no Reisado de Zabelê, nas cantadeiras e na Nau Catarineta de Cabedelo, nos violeiros do Cariri, nos tocadores de fole, nos que fazem forró de qualidade.
Quando Tarcísio Burity governou a Paraíba pela segunda vez (1987-1990), convidou o jornalista Severino Ramos para ocupar a Secretaria de Cultura. Homem criado nos canaviais da Várzea da Paraíba, Severino conhecia o Mestre Gasosa, criador de um Cavalo Marinho, e o convidou a ir à sede da Secretaria.
Lá ouviu as necessidades do velho mestre para manter a sua “brincadeira”. Biu tinha como assessor o professor e teatrólogo Alarico Correia Neto e determinou que ele fizesse uma concorrência e comprasse o que o Mestre precisa. Era apenas roupa e alguns instrumentos. Depois, sempre que tinha oportunidade o governo contratava Gasosa e seus meninos para se apresentar. O velho tinha transporte e cachê pago pela Secretaria de Biu.
Anos depois, através da professora Nazaré Zenaide, o Cavalo Marinho do Mestre Gasosa foi descoberto pela Academia e gravou um disco lindo com recursos dos governos de Portugal, Inglaterra e França e Brasil. Gasosa morreu, mas seu Cavalo Marinho existe até hoje. Não fosse a visão preservadora de Biu será que esse Cavalo Marinho existia hoje?



Aproveito para paravenizar a equipe do gitopb pelo no vo estilo de fazer noticias eletronicas.
abraços e dezejos de bias felizes ao meu conterraneu este ótimo jornalista JOSE EUFLAVIO.
VANDECO, SANTANA DOS GARROTES-PB
Grande Vandeco: Se você não existisse, eu o inventaria, meu primo.