Chuva, suor e alegria na abertura do carnaval do Recife, no Marco Zero
Criolo, Otto, Ney Matogrosso, Karina Buhr, Marcelo D2 , Lenine e Pitty foram os músicos que cantaram versões de sucessos de Alceu Valença, homenageado do carnaval do Recife junto com o artista plástico Zé Cláudio.
A persistente chuva não apagou a animação do público que foi ao Marco Zero conferir a abertura oficial do carnaval do Recife nesta sexta-feira (17). Mesmo debaixo d’água, milhares de pessoas participaram da festa – desde o cortejo que levou afoxés, caboclinhos e nações de maracatu ao encontro de Naná Vasconcelos para a largada do carnaval recifense até o show em homenagem ao cantor e compositor Alceu valença, que entrou pela madrugada.
Além de reger cerca de 500 batuqueiros de dez nações, tradição que já dura 11 anos, o percussionista pernambucano Naná também tocou ao lado do grupo inglês Stomp Stage Experience, da cantora africana Angelique Kidjo e do maestro Forró, que depois se apresentou com a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério. Enquanto isso, vários blocos desfilavam pelas ruas do Bairro do Recife, seguidos por foliões fantasiados e turistas.
Criolo, Otto, Ney Matogrosso, Karina Buhr, Marcelo D2 , Lenine e Pitty foram os músicos que cantaram versões de sucessos de Alceu Valença, homenageado do carnaval do Recife junto com o artista plástico Zé Cláudio. “Chamei representantes da minha geração, os anos 90, para propor uma nova abordagem à obra de Alceu”, disse o diretor musical do show, o baterista Pupilo. Catorze canções foram selecionadas para o repertório especial, entre elas “Coração bobo”, “Rouge Carmim”, “Morena tropicana” e “Anunciação”.
Nos camarins, Alceu Valença disse estar muito feliz com a homenagem, que, segundo ele, é uma homenagem à cultura de Pernambuco, da qual ele é um expoente. Também comentou sobre a apresentação das músicas dele na voz de outros artistas. “Estou curioso para ver como o show ficou, esses jovens relendo minhas canções. Gosto muito do Lenine. Admiro o Ney Matogrosso. Outros ainda não conheço”, disse.
Quem abriu o show foi o cantor Lirinha, ex-Cordel do Fogo Encantado, seguido por Lenine, que arrancou aplausos ao cantar “Sol e Chuva”. Depois foi a vez do cantor de rap e samba paulista Criolo, que entoou, pouco à vontade, “Morena tropicana”, “Estação da Luz”, dois dos maiores sucessos de Alceu.
Duas cantoras baianas deram continuidade à homenagem. Primeiro, Karina Buhr, que cresceu no Recife, e ficou felicíssima em cantar “Rouge Carmim” e “Anunciação”. “Ouvi tanto Alceu quando era pequena, depois também. Ele é muito importante, não só pra música de Pernambuco, mas do Brasil. A emoção é muito grande”, confessa ela. Depois foi a vez de Pitty, que participa pela segunda vez da festa no Marco Zero – ela veio no ano passado. Ela mostrou o lado rock ‘n roll de Alceu, com canções como “Você pensa” e “Bobo da Corte”.
Quando Ney Matogrosso subiu ao palco cantando “Como dois animais”, vestido com uma blusa de estampa de onça, a aprovação foi imediata. Ney não só já morou no Recife quando criança, no bairro de Casa Amarela, como já gravou diversas canções de Alceu.
Otto, por sua vez, começou cantando sozinho, mas depois foi acompanhado pelo próprio homenageado, na música “Coração bobo”. Otto, também pernambucano, engrossa o coro: “ele foi o primeiro referencial moderno de uma música folclórica aqui no Recife”. A noite terminou com Alceu ao violão, cantando com a plateia em coro seus maiores sucessos – como “La Belle de jour”, “Girassol” e “Pelas ruas que andei”.
G1





