Bolsas asiáticas despencam após rebaixamento da nota americana
A Bolsa de Xangai, que havia iniciada o dia com uma queda modesta de 0,82%, ampliou suas perdas durante a manhã chegando a registrar baixa de 4,78% por volta do meio-dia local.
As principais Bolsas asiáticas operam em forte queda nesta segunda-feira, no primeiro dia de operações após o rebaixamento histórico da nota da dívida americana pela agência Standard & Poor’s (S&P) na noite da última sexta.
Apesar da série de medidas anti-crise anunciadas no domingo pelo Banco Central Europeu e pelo G7, a abertura dos mercados asiáticos teve início com leves quedas, acentuadas durante a manhã devido às fortes perdas nas bolsas de Hong Kong e Xangai.
O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio apresentava baixa de 2% por volta do meio-dia local (0h de Brasília), a 9.104,40 pontos.
A Bolsa de Xangai, que havia iniciada o dia com uma queda modesta de 0,82%, ampliou suas perdas durante a manhã chegando a registrar baixa de 4,78% por volta do meio-dia local.
No mesmo horário, o índice Hang Seng da Bolsa de Hong Kong apresentava queda de 4,07%, a 20.093,36 pontos.
Das principais Bolsas da região, Seul apresentava o pior índice, com o índice Kospi em baixa de 6,3%, a 1.821,29 pontos.
“A atmosfera não poderia ser pior”, declarou durante a manhã na Ásia um analista do mercado à agência Dow Jones Newswires.
Os primeiros mercados a reagirem ao rebaixamento da nota americana foram os do Oriente Médio e Golfo Pérsico durante o fim de semana. A bolsa de Israel fechou o domingo em queda de 7%, enquanto Abu Dhabi, Dubai, Bahrein e Omã caíram 2,53%, 3,69%, 0,33% e 2,08%, respectivamente. No sábado, a Bolsa saudita despencou 5%.
AÇÕES CONTRA A CRISE
Durante o fim de semana, antes da abertura dos mercados asiáticos, o G7, o G20 e o Banco Central Europeu multiplicaram seus contatos e conferências telefônicas de urgência sobre a crise da dívida na Europa e a catarse provocada pela degradação da nota da dívida dos Estados Unidos.
Na noite de domingo, os ministros das Finanças e chefes de bancos centrais do G7 se comprometeram em “adotar as medidas necessárias para manter a estabilidade financeira e o crescimento”, frente “o aumento da tensão nos mercados financeiros”.
Na ocasião, os países do G7 também acordaram cooperar para contrastar os movimentos bruscos dos mercados financeiros provocados pela dívida dos países europeus e a degradação da nota dos Estados Unidos.
Estas medidas foram bem recebidas pouco depois pela presidente do FMI, Christine Lagard, que as considerou importantes para “contribuir para a manutenção da confiança na economia global”.
Pouco antes, durante a tarde, o Banco Central Europeu anunciou que irá intervir “ativamente” no mercado de bônus, sem especificar, no entanto, a dívida de qual país planeja comprar.
Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que a autoridade monetária pretende comprar títulos da dívida da Itália e da Espanha para proteger esses países –a terceira e a quarta maior economia da região– de uma crise orçamentária em aceleração.
O anúncio provocou desde a abertura dos mercados a valorização do euro frente o dólar. A moeda europeia iniciou o dia cotada a US$1,43.
ERRO DE CÁLCULO
Também no domingo, o secretário de Tesouro americano, Timothy Geithner, disse que a S&P cometeu um “terrível erro de julgamento” ao rebaixar a nota da dívida americana de AAA para AA+. Segundo ele, a agência cometeu um “erro de bilhões de dólares” nas projeções de déficit orçamentários até 2021.
Ao contrário da S&P, a agência Moody’s classificou como “prematuro” um eventual rebaixamento da nota dos Estados Unidos, enquanto a agência Fitch –terceira maior do ramo– assegurou que ainda irá refletir mais sobre a questão.
Com France Presse e Reuters





