Atualidade Jornalística

A atualidade jornalística é um conceito que pode ser compreendido a partir de três fatores: 1) semiótico; 2) sociocultural; 3) tecnológico. Comumente, tem se pensado a atualidade no jornalismo como renovação do fluxo de informação veiculada ou o conflito com ...

Por

A atualidade jornalística é um conceito que pode ser compreendido a partir de três fatores: 1) semiótico; 2) sociocultural; 3) tecnológico.

Comumente, tem se pensado a atualidade no jornalismo como renovação do fluxo de informação veiculada ou o conflito com a noção de tempo construída nas sucessivas mudanças das sociedades ocidentais.

Em linhas gerais, precisaríamos de uma definição mais acurada do tempo construído pelas civilizações, através de seus imaginários, para que pudéssemos estabelecer as formas de atualização do tempo provocadas pelo jornalismo no “mundo da vida” desde o século XVII.

Na maioria das vezes, o conceito de atualidade jornalística é comparado aos escalonamentos do tempo enquanto substantivo dos processos históricos, religiosos e econômicos. Por isso, há uma bipolarização conceitual do tempo: o tempo físico e o tempo social.

O tempo físico trata dos fenômenos da natureza (physis); responsável pela demarcação do que se verifica como imanente ou transcendente na relação entre os fenômenos naturais e os homens.

Noutro sentido, o tempo social diz respeito aos deslocamentos de significados através da ação humana na sociedade. É o tempo do éthos, da construção de regras para ocupação do espaço urbano, das dimensões do corpo como medida para o habitat das cidades.

A atualidade é, numa sociedade da informação, a inscrição das variações temporais provocadas pela ação do homem na natureza e pelas respostas dadas pela natureza a estas ações.

Grosso modo, atualidade jornalística é uma mímese – no sentido aristotélico – recriação dos tempos cíclico e linear na sociedade moderna.

O primeiro nível de recriação temporal, como sinônimo de atualidade jornalística se estabelece através da conjunção de linguagens distintas subordinadas à noção de informação. Nesse nível temos as atualizações dos significados.

A atualização do tempo a partir da conjunção de repertórios distintos, cujos movimentos e formas na maioria das vezes advêm de outros campos do saber, transforma o jornalismo em o universo rico em linguagens, obrigando a modificar, constantemente, formas e conteúdo para que a informação se legitime enquanto fatos sociais.

Se há uma pretensão de representação das realidades sociais na linguagem jornalística, se constituindo na retórica explicativa do presente, podemos constatar também as modificações de enunciados lingüísticos ou analógicos no discurso jornalístico provocadas constantemente pelos signos do mundo urbano.

Portanto, a atualidade jornalística se dá a partir da reconstrução das formas e dos conteúdos representativos de cada sociedade.

O jornalismo atualiza os fatos sociais no nível semiótico – conjugando diversas linguagens no modo indicativo. Este é o primeiro nível da atualidade jornalística.

No segundo nível, a atualidade jornalística se perfaz numa relação sociocultural. Nessa atualização, o jornalismo, além de constitui um campo discursivo particular, se organiza enquanto instituição e estabelece um conjunto normativo para acompanhar o ex-curso das temporalidades sociais.

A atualidade do tempo no jornalismo é inerente à formação sociocultural dos jornalistas, das atitudes éticas e estéticas encetadas no campo jornalístico.

O jornalista é uma categoria profissional regida por leis trabalhistas e sujeita a constrangimentos sociais como as demais profissões.

À medida que a profissão de jornalista sofre modificações no âmbito dos saberes, representações políticas, formações ideológicas – há atualizações ou não das técnicas de produção de informação.

O caráter da produção jornalística pode enfatizar não só a posição política da imprensa em um determinado período histórico, como também a forma de responder às novas demandas sociais por melhorias da qualidade de informação.

A atualidade no jornalismo reflete as nuanças das categorias temáticas, das teorias e dos gêneros jornalístico no mundo contemporâneo.

Da categoria Jornalismo Investigativo – predominante nos anos 70 – a escrita jornalística passou à subcategoria Jornalismo Denunciativo nos anos 90, o que determinou uma pobreza estética das narrativas e das teorias produzidas sobre o jornalismo impresso.

Quanto aos gêneros narrativos, a atualidade jornalística é legitimada através de artigos opinativos e textos informativos, meramente referenciais. Isto quer dizer: há no jornalismo a predominância de fatos que se legitimam através da técnica de fabricação de eventos.

Com relação às teorias jornalísticas, a atualidade jornalística pode ser compreendida a partir das relações entre a produção industrial da informação o tempo social do cidadão-jornalista e as novas tecnologias aplicadas à difusão de textos ou imagens.

A tecnologia é um dos fatores da atualidade jornalística. Isso revela uma das principais mudanças no campo jornalístico: a ampliação dos “médiuns” – meios físicos na convergência com novas mídias, como o celular.

A convergência de novas mídias modificou o conceito de informação jornalística, subordinando-o à noção de instantaneidade. Ou seja: o valor informativo não é mais medido pela “não probabilidade” do acontecimento, mas pela eficácia do suporte em difundir informações com maior velocidade. Esse é o terceiro fator que nos ajuda a entender a atualidade jornalística na sociedade contemporânea.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>